Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens com a etiqueta Outono

Prometeste envelhecer a meu lado

Não consigo deixar de pensar que prometeste envelhecer a meu lado. De que valem as palavras se as proferimos levianamente, qual bolas de sabão sopradas ao vento? Não se deve prometer o que não sabemos ser capazes de cumprir, já devias saber. Mesmo assim prometeste. E eu acreditei que iria chegar ao Outono da vida contigo a meu lado. Mentiste-me, iludiste-me, enganaste-me. Odeio-te por isso. Onde estás tu quando os meus passos vacilam e as nuvens negras baixam sobre a minha cabeça, pesando-me sobre os ombros? Prometeste envelhecer a meu lado, lembras-te? Deixaste-me a percorrer sozinha esse caminho desenhado para ser trilhado a par. Resta-me o consolo de que não foi tua a escolha e deixo o sol entrar porque sei que és tu para me dar um abraço.

Vento

Ouves o vento a soprar, desejoso de invadir cada porta e janela fechadas? Parece que anda perdido, sem norte, à procura de um lugar para se abrigar. Corre como louco, não se percebe para onde quer ir. Ora rebola pelo chão, atirando pelo ar as folhas amarelecidas de um Outono ainda a fazer-se anunciar, ora se eleva ao mais alto dos arranha-céus, desafiando a mais resistente das edificações. Brinca com os cabelos como a fazer pirraça, atrevido levanta saias e vestidos, assobiando a cada esquina. Provoca, desafia. Gosto do vento, sabes? Às vezes esmorece, mas, num abrir e fechar de olhos, revela toda a sua força. Impõe-se, faz-se respeitar. Acho que nesses dias também quer sacudir os corpos e as mentes amorfas.