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Nunca me chamaste Amor

Nunca me chamaste Amor. Dizem-me que quando queremos muito, por vezes, o nosso desejo transforma-se em realidade. Sei, contudo, que é ténue a fronteira que separa a realidade da ilusão. Nunca me chamaste Amor. Dizem-me que mais do que as palavras contam os gestos. Sei, porém, que o corpo pode falar uma linguagem diferente da do coração. Nunca me chamaste Amor. Dizem-me que não devemos querer regressar aos lugares onde fomos felizes. Sei, todavia, que as recordações confortam, mas não trazem de volta o passado. Nunca me chamaste Amor.            

Recordações

Não se esfumam no tempo as recordações, muito menos deixam de estar presentes porque os dias avançam no calendário e as horas repetem ciclos no relógio. Não é o tempo que determina a intensidade ou a força dos sentimentos. Se assim fosse perder-se-iam na espuma dos dias momentos de imensa ternura, histórias de intensa paixão e de amores desmedidos. Fechar os olhos e deixar as memórias emergir pode ser a maior prova de amor.