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Serei Amor

  Serei morada Porto de abrigo Cais onde ancoras o barco Âncora no mar revolto   Serei casa Regaço que acolhe Abraço que conforta Lar das memórias mais doces   Serei refúgio Lugar seguro Tempo sem tempo Abrigo nas tempestades   Serei certeza nas horas dúbias Luz na escuridão Esperança no desespero Alegria no descontentamento   Serei confidente Guardiã de todos os teus segredos Fiel depositária das tuas partilhas Confessionário dos teus pecados   Serei música Silêncio se o desejares Frenesim na quietude Calma na agitação   Serei o que quiseres que seja Sempre e quando o queiras Serei para ti o que queria fosses para mim Serei AMOR

Casa de praia

A casa de praia tem as janelas abertas, evidenciando que há vida lá dentro. Cá fora, duas cadeiras de campismo deixam perceber a ocupação casual da pequena moradia. A dois passos, o rio corre para o mar. Além da margem, espraiam-se os campos e as casas, e, na linha do horizonte, o monte como que torna privado este bocado de território. No lado oposto, fica a praia, essa linha de costa que a erosão teima em roubar, ano após ano, reduzindo, cada vez mais, essa língua de areia, tornando cada vez mais longínquas as memórias do extenso areal de outrora. A casa da praia, que conhecemos desde sempre, mantém-se ali. Cuidada quanto baste, despretensiosa, não ostenta quaisquer luxos, cumprindo a sua missão de refúgio casual uns quantos dias no ano. Chamar-lhe casa de praia poderá ser, eventualmente, presunção, atendendo à dimensão e simplicidade da construção. Reveste-se, contudo, daquele ar simpático e acolhedor a que apetece chamar casa.