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Mensagens

Trazes-me agarrado a ti...

Oferecida, sem pudor, ao meu olhar, envolves-me na tua sedução e eu deixo-me arrebatar. Rendido, quedo-me a olhar-te, alheio aos ponteiros do relógio. Tens esse dom de me prender, de me trazer agarrado a ti, de me envolver nessa esfera de enlevo. Faço-me pequenino com receio de esbarrar na tua grandiosidade travestida de serenidade. Deixo-me ficar por aqui, alheio ao mundo, desfiando horas, porque me trazes agarrado a ti. Este post foi publicado em simultâneo neste blog e em h ttp://esposendeimagens.blogspot.com/ Texto - Alda Viana Fotografia - João Octávio Meira

Ruas desertas

Gosto de ruas desertas, despidas do rebuliço e da confusão. Sabe bem caminhar ao acaso, sem pressa, por esses lugares onde vidas se cruzam, na azáfama de querer correr mais do que o próprio tempo. Por essas ruas passam almas sofridas e corações transbordando de alegria e de paixão, gente humilde e gente que se acha muito importante. Gosto da quietude das ruas desertas, dessa ausência de pessoas e de sons, de me perder por esses caminhos na aventura da descoberta. A cada esquina vislumbram-se novos cenários, de um passado que outrora foi presente. As ruas não são apenas locais de passagem, são espaços que guardam memórias de vidas passadas, histórias de gente sem história e de gente que fez história. Sabe bem invadir ruas desertas.

(Des)Esperança

Procurar sem achar. Desejar sem alcançar. O rastilho da esperança continua a consumir-se.

Reencontro

Ensaiei incontáveis vezes as palavras que te diria acaso voltasse a encontrar-te. Escolhia-as meticulosamente, procurando a que mais te pudesse ferir. Guardei a raiva e a fúria que despertaste em mim para te poder arremessar sem dó nem piedade. Queria ofender-te, chamar-te nomes, despejar insultos e toda a cólera que carrego comigo. Queria fazer-te sentir um farrapo, tal qual me sinto desde esse dia em que partiste sem sequer dizer adeus. Queria que sentisses bem fundo a dor de ser pisado, a mágoa da rejeição, o sofrimento dessa ferida aberta incapaz de sarar. Senti o chão fugir-me debaixo dos pés ao voltar a olhar-te de frente. Abri a boca, mas não fui capaz de articular palavra. Olhei no fundo dos teus olhos e vi neles arrependimento, mas não esperei pelo pedido de desculpas. Atordoada, no desespero de fugir de ti, embrenhei-me no meio da multidão, parecendo-me ter ouvido chamares o meu nome.

Como se fora a primeira vez...

Sinto-me tocada pela emoção a cada (re)encontro com o rio, meu confidente em horas de melancolia Ao contemplar essa beleza exposta perante o meu olhar, emudeço como se tivesse perdido a capacidade de me expressar, deixando-me inebriar por essa formosura que me é oferecida e que clama ser desfrutada Deixo-me enfeitiçar pela claridade da manhã, pelo esplendor da tarde, pelo encanto do brilho da noite, reflectidos nessas águas Como se fora a primeira vez Este post foi publicado em simultâneo neste blog e em h ttp://esposendeimagens.blogspot.com/ Texto - Alda Viana Fotografia - João Octávio Meira

Paixão

Toda uma vida não chega para te amar. As tuas palavras ecoam na minha cabeça, transportando-me para um outro tempo e um outro lugar. Abraçaste-me, então, num abraço tão apertado como se tivesses medo de me perder. Senti-te frágil, como frágil me sinto agora, aqui, perante este imenso Oceano. Toda uma vida não chega para te amar. Pego nas tuas palavras e repito-as em voz alta. Invade-me um turbilhão de emoções, sinto o coração a crescer dentro do peito e corro, como se fugisse da inevitabilidade do destino. Toda uma vida não chega para te amar. A cada vaivém, as ondas trazem-me a tua voz. Dou-me conta de que não adianta fugir e detenho-me. Ao sentir os pés afundar-se na areia percebo que estou presa no redemoinho da paixão.

Seguir em frente

Sigo por essa estrada sem saber onde ela me vai levar. Na verdade, pouco importa para onde vou quando o que verdadeiramente interessa é seguir em frente. É imperioso que avance deixando para trás tudo aquilo que já não me faz feliz. Comecei a escrever um novo guião para a minha vida onde o Eu surge em primeiro lugar.