Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

Livros

  Ler um livro é como viajar. Antes, vive-se a expetativa da viagem. Depois, saboreiam-se as memórias.  Nem sempre as viagens são o que imaginamos, seja porque não corresponderam ao esperado, seja porque superaram. Assim são os livros. Às vezes superam as expetativas, outras ficam aquém. Tal como viajar, ler um livro é vivenciar, experienciar, sentir. Quão prazeroso é “mergulhar” num livro, deixarmo-nos envolver pela história e pelos personagens. O bom que é descobrir livros que nos agarram, que sorvemos avidamente, expetantes a cada página! 

Vai

  Atira-te e diz que te empurraram. Ousa quebrar estereótipos.  Desafia-te. Antes o arrependimento pela ousadia do que a frustração da falta de coragem. Experimenta. Antes a desilusão do que a tristeza de nem sequer tentar.  Atreve-te. Nunca saberás se és capaz se não tentares.  Arrisca. Antes viver de recordações do que de sonhos.  Faz. Porque só tentando saberás se és capaz.  Avança. Deixa que a vontade te empurre. Entrega-te. Deixa que o coração assuma o leme.

Diálogos

  Falaste sem nada dizer e eu, que sempre soube ler o teu olhar, percebi. Soube ali, nesse instante, o sentido do teu pensamento. Respondi-te com silêncio, sei que me entendeste. O silêncio é das conversas mais intensas que mantemos. Dizemos tanto sem nada dizer. 

Leva-me de regresso ao passado

  Leva-me de regresso ao passado A um tempo sem tempo, sem noção do finito Onde todos os sonhos eram permitidos e passíveis de concretizar Onde um dia mais não representava um dia menos no calendário da vida Onde as lágrimas eram de riso e não de dor Onde fintávamos a inocência com a ousadia de experienciar Onde crescer era correr sem ver o fim da estrada Leva-me de regresso ao passado A um tempo onde o pouco era tanto, ainda que fosse quase nada.  Quando éramos todos à mesa.

Desapego

  Sente-se impelida a praticar o desapego. Não por um lampejo fugaz, uma vontade fortuita. Tão pouco por capricho ou egoísmo. Menos ainda por desespero ou vingança. É com uma lucidez incontestável que decide abraçar o desapego. A ironia da expressão fá-la sorrir.   Parece já sentir a leveza de soltar amarras, desatar laços, desenlaçar abraços. É fechar portas e abrir janelas. O desapego é, tão só, sinónimo de liberdade.

Outono da vida

  Chegou ao outono da vida sem se dar conta de como o futuro se fez presente tão cedo. O caminho outrora tão longo tornou-se curto, como a meta que se avista na reta final da corrida. A infância onde ontem brincava não passa de uma memória longínqua e a primavera da vida de tão efémera está igualmente distante.  Chegou ao outono da vida como quem chega ao fim do percurso sem ter gozado a viagem. A idade confere sabedoria, mas impõe lucidez. O tempo que sempre lhe faltou sobra-lhe agora. Pesam, contudo, as ausências e já não é possível recuperar abraços.

Libertação

E, de repente, colocar tudo em causa. Interrogações que se atropelam. Perguntas a exigir respostas. A sombra que ofusca a claridade. A dúvida que se agiganta. O medo a ganhar espaço. A dor que aperta no peito. A melodia que se tornou ruído. O sorriso que se apaga. E, de repente, perder o controlo. A incapacidade de dominar a mente. O mergulho no escuro. A vontade de acabar com o sofrimento. E, de repente, a libertação.