O destino pregou-lhe uma partida e obrigou-a
a tomar em mãos uma vida antes partilhada. Viu partir-se a corda que a mantinha
ancorada a uma vida em tudo previsível, sentindo o chão fugir-lhe debaixo dos
pés. Primeiro, a negação. Depois, a resignação. Secou as lágrimas e deixou para
trás o passado, traçando um novo rumo para a sua vida. Descobriu forças que não
sabia possuir. Orienta as suas energias para objectivos concretos, com a
determinação de quem sabe como e para onde quer ir. Continua sozinha, mas o
estar só não é ser só.
Há dias maus e há dias muito maus. E depois há os outros, os verdadeiramente muito maus, a que, caso tivéssemos escolha, nos furtaríamos. São um verdadeiro murro no estômago, que nos atiram “borda fora”, que nos roubam o chão. Que fazem doer. Porém, há os dias bons e os dias muito bons. E depois há os dias excecionalmente esplêndidos. Verdadeiramente felizes. Energia positiva que alimenta o corpo e a alma. Que aquece o coração. Ambos, os dias bons e os dias maus, deixam marca, acentuada ou mais ténue. São memórias que carregamos, e que, a espaços, regressam, ainda que não as convoquemos. São memorandos, páginas de um livro que se vai avolumando de uma história cujo desfecho desconhecemos.

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