Procura sinais e não enxerga as
evidências mesmo diante dos seus olhos. Não olha além da superfície, por isso
não alcança as respostas. É como se uma espessa neblina formasse uma cortina
que a impossibilita de ver. Vive como se o tempo lhe fugisse por entre os
dedos, lamentando cada dia que passa sem encontrar o que anseia. Não lhe ocorre
sequer que a felicidade pode estar à porta, à espera de ser convidada a
fazer-lhe companhia.
Há dias maus e há dias muito maus. E depois há os outros, os verdadeiramente muito maus, a que, caso tivéssemos escolha, nos furtaríamos. São um verdadeiro murro no estômago, que nos atiram “borda fora”, que nos roubam o chão. Que fazem doer. Porém, há os dias bons e os dias muito bons. E depois há os dias excecionalmente esplêndidos. Verdadeiramente felizes. Energia positiva que alimenta o corpo e a alma. Que aquece o coração. Ambos, os dias bons e os dias maus, deixam marca, acentuada ou mais ténue. São memórias que carregamos, e que, a espaços, regressam, ainda que não as convoquemos. São memorandos, páginas de um livro que se vai avolumando de uma história cujo desfecho desconhecemos.

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