Sorriso largo, como portas escancaradas a
desafiar quem passa a entrar. Olhar expressivo, registando cada movimento, qual
câmara de vigilância captando imagens. Braço estendido, a mão aberta. De tão
repetido, o gesto, por si só, já não prende a atenção de ninguém. Porém, o quadro, no seu todo, impressiona, confunde quem passa. Algo parece fora do lugar. Alguma
coisa não combina. Talvez o sorriso. Ou o olhar. A mão estendida de quem pede não
condiz com um rosto iluminado por um sorriso a transbordar esperança.
Nem sempre razão e coração casam, mas fazem alianças. Nem sempre o amor cura, mas faz verdadeiros milagres. Nem sempre um abraço atenua a dor, mas imprime energia. Nem sempre falar resolve, mas alivia. Nem sempre são firmes os meus passos, mas regem-se pela verticalidade. Nem sempre são assertivas as minhas palavras, mas refletem a verdade de cada momento. Nem sempre sou o que esperam de mim, mas o que posso ser para os outros. Nem sempre dou tudo o que poderia, mas o que sou capaz de oferecer.

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