Não tenho
resposta para todas as tuas perguntas. Não sei explicar porque temos dias em
que tudo sobra e, em oposição, outros em que tudo falta. Porque é que o
trajecto não se faz sempre por linha recta, sem desvios, percalços, quedas e até
trambolhões. Porque se entranha o grão de areia na engrenagem obrigando-nos a aplicar
um esforço maior para seguir em frente. Porque nos alegra um dia resplandecente
e nos deprimem os dias de chuva. Porque somos capazes de resistir às maiores
adversidades nuns dias e sucumbir ao primeiro revés noutros. Porque somos
sensíveis em determinados momentos e extremamente indiferentes noutros. Porque
nos custa tanto sorrir quando noutras ocasiões à mínima nos perdemos a rir. Sobram as
questões, faltam as respostas.
Nem sempre razão e coração casam, mas fazem alianças. Nem sempre o amor cura, mas faz verdadeiros milagres. Nem sempre um abraço atenua a dor, mas imprime energia. Nem sempre falar resolve, mas alivia. Nem sempre são firmes os meus passos, mas regem-se pela verticalidade. Nem sempre são assertivas as minhas palavras, mas refletem a verdade de cada momento. Nem sempre sou o que esperam de mim, mas o que posso ser para os outros. Nem sempre dou tudo o que poderia, mas o que sou capaz de oferecer.
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