Não tenho
resposta para todas as tuas perguntas. Não sei explicar porque temos dias em
que tudo sobra e, em oposição, outros em que tudo falta. Porque é que o
trajecto não se faz sempre por linha recta, sem desvios, percalços, quedas e até
trambolhões. Porque se entranha o grão de areia na engrenagem obrigando-nos a aplicar
um esforço maior para seguir em frente. Porque nos alegra um dia resplandecente
e nos deprimem os dias de chuva. Porque somos capazes de resistir às maiores
adversidades nuns dias e sucumbir ao primeiro revés noutros. Porque somos
sensíveis em determinados momentos e extremamente indiferentes noutros. Porque
nos custa tanto sorrir quando noutras ocasiões à mínima nos perdemos a rir. Sobram as
questões, faltam as respostas.
Há dias maus e há dias muito maus. E depois há os outros, os verdadeiramente muito maus, a que, caso tivéssemos escolha, nos furtaríamos. São um verdadeiro murro no estômago, que nos atiram “borda fora”, que nos roubam o chão. Que fazem doer. Porém, há os dias bons e os dias muito bons. E depois há os dias excecionalmente esplêndidos. Verdadeiramente felizes. Energia positiva que alimenta o corpo e a alma. Que aquece o coração. Ambos, os dias bons e os dias maus, deixam marca, acentuada ou mais ténue. São memórias que carregamos, e que, a espaços, regressam, ainda que não as convoquemos. São memorandos, páginas de um livro que se vai avolumando de uma história cujo desfecho desconhecemos.
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