Não se
esfumam no tempo as recordações, muito menos deixam de estar presentes porque
os dias avançam no calendário e as horas repetem ciclos no relógio. Não é o
tempo que determina a intensidade ou a força dos sentimentos. Se assim fosse
perder-se-iam na espuma dos dias momentos de imensa ternura, histórias de intensa
paixão e de amores desmedidos. Fechar os olhos e deixar as memórias emergir pode ser a maior prova de amor.
Há dias maus e há dias muito maus. E depois há os outros, os verdadeiramente muito maus, a que, caso tivéssemos escolha, nos furtaríamos. São um verdadeiro murro no estômago, que nos atiram “borda fora”, que nos roubam o chão. Que fazem doer. Porém, há os dias bons e os dias muito bons. E depois há os dias excecionalmente esplêndidos. Verdadeiramente felizes. Energia positiva que alimenta o corpo e a alma. Que aquece o coração. Ambos, os dias bons e os dias maus, deixam marca, acentuada ou mais ténue. São memórias que carregamos, e que, a espaços, regressam, ainda que não as convoquemos. São memorandos, páginas de um livro que se vai avolumando de uma história cujo desfecho desconhecemos.

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