Só preciso
de um abraço, nada mais do que um abraço. Um abraço apertado, que me prenda
para que eu não corra rua fora a gritar. De raiva, de revolta, de fúria,
sentindo-me vítima de uma tremenda injustiça. Perguntando e voltando a
perguntar “porquê?”. Não há uma resposta que conforte, que acalme esta dor.
Sei-o bem. Tu também o sabes. Porque a viveste ou porque conviveste com ela. Só
preciso de um abraço, um abraço bem apertado, para sentir que não estou só.
Há dias maus e há dias muito maus. E depois há os outros, os verdadeiramente muito maus, a que, caso tivéssemos escolha, nos furtaríamos. São um verdadeiro murro no estômago, que nos atiram “borda fora”, que nos roubam o chão. Que fazem doer. Porém, há os dias bons e os dias muito bons. E depois há os dias excecionalmente esplêndidos. Verdadeiramente felizes. Energia positiva que alimenta o corpo e a alma. Que aquece o coração. Ambos, os dias bons e os dias maus, deixam marca, acentuada ou mais ténue. São memórias que carregamos, e que, a espaços, regressam, ainda que não as convoquemos. São memorandos, páginas de um livro que se vai avolumando de uma história cujo desfecho desconhecemos.

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