Só preciso
de um abraço, nada mais do que um abraço. Um abraço apertado, que me prenda
para que eu não corra rua fora a gritar. De raiva, de revolta, de fúria,
sentindo-me vítima de uma tremenda injustiça. Perguntando e voltando a
perguntar “porquê?”. Não há uma resposta que conforte, que acalme esta dor.
Sei-o bem. Tu também o sabes. Porque a viveste ou porque conviveste com ela. Só
preciso de um abraço, um abraço bem apertado, para sentir que não estou só.
Nem sempre razão e coração casam, mas fazem alianças. Nem sempre o amor cura, mas faz verdadeiros milagres. Nem sempre um abraço atenua a dor, mas imprime energia. Nem sempre falar resolve, mas alivia. Nem sempre são firmes os meus passos, mas regem-se pela verticalidade. Nem sempre são assertivas as minhas palavras, mas refletem a verdade de cada momento. Nem sempre sou o que esperam de mim, mas o que posso ser para os outros. Nem sempre dou tudo o que poderia, mas o que sou capaz de oferecer.

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