A gargalhada,
espontânea e escandalosamente sonora, ecoou na noite, quebrando o silêncio da
rua. Obrigaram-se a engolir o riso, em respeito para com os que, nos seus
aconchegos, retemperavam energias de mais um dia de trabalho. Caminhavam
abraçados, muito juntos, tremendamente cúmplices. Sempre fora assim, desde o
momento em que os seus caminhos se cruzaram. Como se estivessem destinados um ao
outro, almas gémeas que, por fim, se encontram. O destino unira-os e não os iria separar. Selou um beijo no seu rosto e chamou-lhe princesa.
Há dias maus e há dias muito maus. E depois há os outros, os verdadeiramente muito maus, a que, caso tivéssemos escolha, nos furtaríamos. São um verdadeiro murro no estômago, que nos atiram “borda fora”, que nos roubam o chão. Que fazem doer. Porém, há os dias bons e os dias muito bons. E depois há os dias excecionalmente esplêndidos. Verdadeiramente felizes. Energia positiva que alimenta o corpo e a alma. Que aquece o coração. Ambos, os dias bons e os dias maus, deixam marca, acentuada ou mais ténue. São memórias que carregamos, e que, a espaços, regressam, ainda que não as convoquemos. São memorandos, páginas de um livro que se vai avolumando de uma história cujo desfecho desconhecemos.

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