A gargalhada,
espontânea e escandalosamente sonora, ecoou na noite, quebrando o silêncio da
rua. Obrigaram-se a engolir o riso, em respeito para com os que, nos seus
aconchegos, retemperavam energias de mais um dia de trabalho. Caminhavam
abraçados, muito juntos, tremendamente cúmplices. Sempre fora assim, desde o
momento em que os seus caminhos se cruzaram. Como se estivessem destinados um ao
outro, almas gémeas que, por fim, se encontram. O destino unira-os e não os iria separar. Selou um beijo no seu rosto e chamou-lhe princesa.
Nem sempre razão e coração casam, mas fazem alianças. Nem sempre o amor cura, mas faz verdadeiros milagres. Nem sempre um abraço atenua a dor, mas imprime energia. Nem sempre falar resolve, mas alivia. Nem sempre são firmes os meus passos, mas regem-se pela verticalidade. Nem sempre são assertivas as minhas palavras, mas refletem a verdade de cada momento. Nem sempre sou o que esperam de mim, mas o que posso ser para os outros. Nem sempre dou tudo o que poderia, mas o que sou capaz de oferecer.

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