Podia
ter-te pedido para ficares, mas não o fiz. Deixei que partisses e fiquei, presa
ao chão, a ver-te ir embora. Ainda olhaste para trás, mas não deixei que visses
a dor que me consumia. Fingi uma determinação que não sentia e aguentei firme e
estoicamente até te perder de vista. Não me lembro quanto tempo ali fiquei nem
o que fiz a seguir. Tenho, porém, a certeza de que foi o recomeço mais difícil
que alguma vez tive que experimentar. Sei que fui eu que te empurrei para fora
da minha vida. Sei que foi das decisões mais árduas e sofridas que alguma vez
tive que tomar. Sei porque o fiz. Fá-lo-ia de novo, ainda que tivesse que
passar pelo mesmo tormento. Porque ser feliz não é parecer feliz.
Há dias maus e há dias muito maus. E depois há os outros, os verdadeiramente muito maus, a que, caso tivéssemos escolha, nos furtaríamos. São um verdadeiro murro no estômago, que nos atiram “borda fora”, que nos roubam o chão. Que fazem doer. Porém, há os dias bons e os dias muito bons. E depois há os dias excecionalmente esplêndidos. Verdadeiramente felizes. Energia positiva que alimenta o corpo e a alma. Que aquece o coração. Ambos, os dias bons e os dias maus, deixam marca, acentuada ou mais ténue. São memórias que carregamos, e que, a espaços, regressam, ainda que não as convoquemos. São memorandos, páginas de um livro que se vai avolumando de uma história cujo desfecho desconhecemos.

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