Podia
ter-te pedido para ficares, mas não o fiz. Deixei que partisses e fiquei, presa
ao chão, a ver-te ir embora. Ainda olhaste para trás, mas não deixei que visses
a dor que me consumia. Fingi uma determinação que não sentia e aguentei firme e
estoicamente até te perder de vista. Não me lembro quanto tempo ali fiquei nem
o que fiz a seguir. Tenho, porém, a certeza de que foi o recomeço mais difícil
que alguma vez tive que experimentar. Sei que fui eu que te empurrei para fora
da minha vida. Sei que foi das decisões mais árduas e sofridas que alguma vez
tive que tomar. Sei porque o fiz. Fá-lo-ia de novo, ainda que tivesse que
passar pelo mesmo tormento. Porque ser feliz não é parecer feliz.
Nem sempre razão e coração casam, mas fazem alianças. Nem sempre o amor cura, mas faz verdadeiros milagres. Nem sempre um abraço atenua a dor, mas imprime energia. Nem sempre falar resolve, mas alivia. Nem sempre são firmes os meus passos, mas regem-se pela verticalidade. Nem sempre são assertivas as minhas palavras, mas refletem a verdade de cada momento. Nem sempre sou o que esperam de mim, mas o que posso ser para os outros. Nem sempre dou tudo o que poderia, mas o que sou capaz de oferecer.

Comentários
Enviar um comentário