Fomos o
tanto que por ser demasiado não soubemos manter. Fomos o tudo que quisemos para
sempre esquecendo que o eterno só o é enquanto dura. Fomos o real quando as
nuvens eram o nosso chão. Fomos verdade na mentira de uma história por contar.
Fomos estrela sem firmamento porque não cabíamos no infinito. Fomos certeza na
dúvida do futuro. Fomos luz nas trevas. Fomos paz na guerra. Fomos silêncio no tumulto.
Fomos água na terra árida. Fomos brasa no frio do Inverno. Fomos.
Há dias maus e há dias muito maus. E depois há os outros, os verdadeiramente muito maus, a que, caso tivéssemos escolha, nos furtaríamos. São um verdadeiro murro no estômago, que nos atiram “borda fora”, que nos roubam o chão. Que fazem doer. Porém, há os dias bons e os dias muito bons. E depois há os dias excecionalmente esplêndidos. Verdadeiramente felizes. Energia positiva que alimenta o corpo e a alma. Que aquece o coração. Ambos, os dias bons e os dias maus, deixam marca, acentuada ou mais ténue. São memórias que carregamos, e que, a espaços, regressam, ainda que não as convoquemos. São memorandos, páginas de um livro que se vai avolumando de uma história cujo desfecho desconhecemos.

Comentários
Enviar um comentário