Trazes
no olhar os dias e as noites em que a minha ausência te doeu. Carregas a
saudade dos abraços onde encontravas a bonança. Vives uma vida que não é tua
ainda que te pertença. Permaneces no passado mesmo a viver o presente. Sei que
vivo em ti. Sei que sim. Sei que por mais dias, meses, anos que passem se
avivam as recordações ao invés de se diluírem. Seguiste o teu caminho, porém
levaste-me contigo.
Há dias maus e há dias muito maus. E depois há os outros, os verdadeiramente muito maus, a que, caso tivéssemos escolha, nos furtaríamos. São um verdadeiro murro no estômago, que nos atiram “borda fora”, que nos roubam o chão. Que fazem doer. Porém, há os dias bons e os dias muito bons. E depois há os dias excecionalmente esplêndidos. Verdadeiramente felizes. Energia positiva que alimenta o corpo e a alma. Que aquece o coração. Ambos, os dias bons e os dias maus, deixam marca, acentuada ou mais ténue. São memórias que carregamos, e que, a espaços, regressam, ainda que não as convoquemos. São memorandos, páginas de um livro que se vai avolumando de uma história cujo desfecho desconhecemos.

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