É com o
olhar que te falo quando preciso do teu abraço ou quando necessito estar só por
sentir que dois são uma multidão. O meu olhar é o braille que aprendeste a ler
sem precisares sentir o relevo nas pontas dos dedos. Sabes quando preciso do
amigo ou do amante, quando ficar ou partir. De nada
valem as palavras se não fores capaz de ler no meu olhar o que me vai no íntimo.
Há dias maus e há dias muito maus. E depois há os outros, os verdadeiramente muito maus, a que, caso tivéssemos escolha, nos furtaríamos. São um verdadeiro murro no estômago, que nos atiram “borda fora”, que nos roubam o chão. Que fazem doer. Porém, há os dias bons e os dias muito bons. E depois há os dias excecionalmente esplêndidos. Verdadeiramente felizes. Energia positiva que alimenta o corpo e a alma. Que aquece o coração. Ambos, os dias bons e os dias maus, deixam marca, acentuada ou mais ténue. São memórias que carregamos, e que, a espaços, regressam, ainda que não as convoquemos. São memorandos, páginas de um livro que se vai avolumando de uma história cujo desfecho desconhecemos.

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