E, então, quando pensas que tens tudo sob
controlo, vem uma onda e arrasta-te, sem sequer te dar tempo para reagires. Já
só te dás conta da tempestade quando derivas no alto mar, fustigado pela forte
ondulação e sem vislumbrar qualquer porto de abrigo. De nada vale gritares
porque não te farás ouvir. Contudo, gritas, gritas até estares esgotado. E eis
que vês a luz, a luz que nunca deixou de estar presente, mas que não vias
porque estavas cego pelo desespero. Consegues ver claro agora, as ondas
amainaram e as águas são calmas. A tempestade passou. Venceste-a. Lembra-te,
porém, que as tempestades surgem quando menos as esperas.
Nem sempre razão e coração casam, mas fazem alianças. Nem sempre o amor cura, mas faz verdadeiros milagres. Nem sempre um abraço atenua a dor, mas imprime energia. Nem sempre falar resolve, mas alivia. Nem sempre são firmes os meus passos, mas regem-se pela verticalidade. Nem sempre são assertivas as minhas palavras, mas refletem a verdade de cada momento. Nem sempre sou o que esperam de mim, mas o que posso ser para os outros. Nem sempre dou tudo o que poderia, mas o que sou capaz de oferecer.

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