E, então, quando pensas que tens tudo sob
controlo, vem uma onda e arrasta-te, sem sequer te dar tempo para reagires. Já
só te dás conta da tempestade quando derivas no alto mar, fustigado pela forte
ondulação e sem vislumbrar qualquer porto de abrigo. De nada vale gritares
porque não te farás ouvir. Contudo, gritas, gritas até estares esgotado. E eis
que vês a luz, a luz que nunca deixou de estar presente, mas que não vias
porque estavas cego pelo desespero. Consegues ver claro agora, as ondas
amainaram e as águas são calmas. A tempestade passou. Venceste-a. Lembra-te,
porém, que as tempestades surgem quando menos as esperas.
Há dias maus e há dias muito maus. E depois há os outros, os verdadeiramente muito maus, a que, caso tivéssemos escolha, nos furtaríamos. São um verdadeiro murro no estômago, que nos atiram “borda fora”, que nos roubam o chão. Que fazem doer. Porém, há os dias bons e os dias muito bons. E depois há os dias excecionalmente esplêndidos. Verdadeiramente felizes. Energia positiva que alimenta o corpo e a alma. Que aquece o coração. Ambos, os dias bons e os dias maus, deixam marca, acentuada ou mais ténue. São memórias que carregamos, e que, a espaços, regressam, ainda que não as convoquemos. São memorandos, páginas de um livro que se vai avolumando de uma história cujo desfecho desconhecemos.

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