Não julgues
que estou diferente. Não te deixes enganar pelas aparências. Só o tempo seguiu
em frente. Arrastou-me com ele, é certo, como o espelho me lembra de cada vez
que nos cruzamos, porém eu continuo lá. Nesse tempo que eu pensava ser nosso,
mas que era, que é, afinal, só meu, porque é só que me encontro.
Há dias maus e há dias muito maus. E depois há os outros, os verdadeiramente muito maus, a que, caso tivéssemos escolha, nos furtaríamos. São um verdadeiro murro no estômago, que nos atiram “borda fora”, que nos roubam o chão. Que fazem doer. Porém, há os dias bons e os dias muito bons. E depois há os dias excecionalmente esplêndidos. Verdadeiramente felizes. Energia positiva que alimenta o corpo e a alma. Que aquece o coração. Ambos, os dias bons e os dias maus, deixam marca, acentuada ou mais ténue. São memórias que carregamos, e que, a espaços, regressam, ainda que não as convoquemos. São memorandos, páginas de um livro que se vai avolumando de uma história cujo desfecho desconhecemos.

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