Que raiva é esta que me consome as entranhas, me tolda o discernimento e
anula a razão? De que raio de amálgama é feita esta coisa que passou a viver em
mim, que pensa por mim, fala por mim, age por mim? Como travar uma batalha se
não sei quem é o inimigo, se não tenho armas, munições, nem tão pouco estratégia?
São mudos os gritos que berro, de outro modo como poderias não me ouvir?
Há dias maus e há dias muito maus. E depois há os outros, os verdadeiramente muito maus, a que, caso tivéssemos escolha, nos furtaríamos. São um verdadeiro murro no estômago, que nos atiram “borda fora”, que nos roubam o chão. Que fazem doer. Porém, há os dias bons e os dias muito bons. E depois há os dias excecionalmente esplêndidos. Verdadeiramente felizes. Energia positiva que alimenta o corpo e a alma. Que aquece o coração. Ambos, os dias bons e os dias maus, deixam marca, acentuada ou mais ténue. São memórias que carregamos, e que, a espaços, regressam, ainda que não as convoquemos. São memorandos, páginas de um livro que se vai avolumando de uma história cujo desfecho desconhecemos.

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