Que raiva é esta que me consome as entranhas, me tolda o discernimento e
anula a razão? De que raio de amálgama é feita esta coisa que passou a viver em
mim, que pensa por mim, fala por mim, age por mim? Como travar uma batalha se
não sei quem é o inimigo, se não tenho armas, munições, nem tão pouco estratégia?
São mudos os gritos que berro, de outro modo como poderias não me ouvir?
Nem sempre razão e coração casam, mas fazem alianças. Nem sempre o amor cura, mas faz verdadeiros milagres. Nem sempre um abraço atenua a dor, mas imprime energia. Nem sempre falar resolve, mas alivia. Nem sempre são firmes os meus passos, mas regem-se pela verticalidade. Nem sempre são assertivas as minhas palavras, mas refletem a verdade de cada momento. Nem sempre sou o que esperam de mim, mas o que posso ser para os outros. Nem sempre dou tudo o que poderia, mas o que sou capaz de oferecer.

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