O aroma perpassou-lhe
as narinas e despertou-lhe os sentidos. Como que sacudida de um sono tranquilo mergulhou
numa espiral de recordações. As memórias, sempre elas, a arrastarem-na para um passado
que ainda não conseguira deixar para trás. O olfacto convocou os demais
sentidos e ela deixou-se levar. Esqueceu-se de onde estava e de tudo quanto a
rodeava. Estava de novo no tempo e na história que quisera para sempre, pudesse
ter mão no destino. Não foi a brisa que lhe arrepiou a pele. Foi a intensidade
das recordações. Porque o Amor tem muitos aromas.
Há dias maus e há dias muito maus. E depois há os outros, os verdadeiramente muito maus, a que, caso tivéssemos escolha, nos furtaríamos. São um verdadeiro murro no estômago, que nos atiram “borda fora”, que nos roubam o chão. Que fazem doer. Porém, há os dias bons e os dias muito bons. E depois há os dias excecionalmente esplêndidos. Verdadeiramente felizes. Energia positiva que alimenta o corpo e a alma. Que aquece o coração. Ambos, os dias bons e os dias maus, deixam marca, acentuada ou mais ténue. São memórias que carregamos, e que, a espaços, regressam, ainda que não as convoquemos. São memorandos, páginas de um livro que se vai avolumando de uma história cujo desfecho desconhecemos.

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