O aroma perpassou-lhe
as narinas e despertou-lhe os sentidos. Como que sacudida de um sono tranquilo mergulhou
numa espiral de recordações. As memórias, sempre elas, a arrastarem-na para um passado
que ainda não conseguira deixar para trás. O olfacto convocou os demais
sentidos e ela deixou-se levar. Esqueceu-se de onde estava e de tudo quanto a
rodeava. Estava de novo no tempo e na história que quisera para sempre, pudesse
ter mão no destino. Não foi a brisa que lhe arrepiou a pele. Foi a intensidade
das recordações. Porque o Amor tem muitos aromas.
Nem sempre razão e coração casam, mas fazem alianças. Nem sempre o amor cura, mas faz verdadeiros milagres. Nem sempre um abraço atenua a dor, mas imprime energia. Nem sempre falar resolve, mas alivia. Nem sempre são firmes os meus passos, mas regem-se pela verticalidade. Nem sempre são assertivas as minhas palavras, mas refletem a verdade de cada momento. Nem sempre sou o que esperam de mim, mas o que posso ser para os outros. Nem sempre dou tudo o que poderia, mas o que sou capaz de oferecer.

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