Sentiu-o
chamar por si. Esquecida do tempo e do lugar foi ao seu encontro. Encontrou-o sereno,
pronto para a envolver e ouvir as suas confidências. Rendida, entregou-se sem
resistência e quaisquer reservas. Sempre assim fora. Uma relação que perdura no
tempo e que, ao invés de esmorecer, se torna cada vez mais forte. Ninguém mais lhe
proporciona o mesmo bem-estar nem a mesma alegria. A ele vai buscar energia
para combater as agruras da vida. Por vezes acha-se egoísta. Nem sempre dá na medida
em que recebe, mas não sabe ser de outra forma. Ele está lá sempre para ela,
seja para receber o seu sorriso ou beber as suas lágrimas. Ela chama-o de seu.
Ele, o Mar, não é de ninguém.
Nem sempre razão e coração casam, mas fazem alianças. Nem sempre o amor cura, mas faz verdadeiros milagres. Nem sempre um abraço atenua a dor, mas imprime energia. Nem sempre falar resolve, mas alivia. Nem sempre são firmes os meus passos, mas regem-se pela verticalidade. Nem sempre são assertivas as minhas palavras, mas refletem a verdade de cada momento. Nem sempre sou o que esperam de mim, mas o que posso ser para os outros. Nem sempre dou tudo o que poderia, mas o que sou capaz de oferecer.

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