Sentiu-o
chamar por si. Esquecida do tempo e do lugar foi ao seu encontro. Encontrou-o sereno,
pronto para a envolver e ouvir as suas confidências. Rendida, entregou-se sem
resistência e quaisquer reservas. Sempre assim fora. Uma relação que perdura no
tempo e que, ao invés de esmorecer, se torna cada vez mais forte. Ninguém mais lhe
proporciona o mesmo bem-estar nem a mesma alegria. A ele vai buscar energia
para combater as agruras da vida. Por vezes acha-se egoísta. Nem sempre dá na medida
em que recebe, mas não sabe ser de outra forma. Ele está lá sempre para ela,
seja para receber o seu sorriso ou beber as suas lágrimas. Ela chama-o de seu.
Ele, o Mar, não é de ninguém.
Há dias maus e há dias muito maus. E depois há os outros, os verdadeiramente muito maus, a que, caso tivéssemos escolha, nos furtaríamos. São um verdadeiro murro no estômago, que nos atiram “borda fora”, que nos roubam o chão. Que fazem doer. Porém, há os dias bons e os dias muito bons. E depois há os dias excecionalmente esplêndidos. Verdadeiramente felizes. Energia positiva que alimenta o corpo e a alma. Que aquece o coração. Ambos, os dias bons e os dias maus, deixam marca, acentuada ou mais ténue. São memórias que carregamos, e que, a espaços, regressam, ainda que não as convoquemos. São memorandos, páginas de um livro que se vai avolumando de uma história cujo desfecho desconhecemos.

Comentários
Enviar um comentário