Esteve
sempre iminente, durante todo o dia, mas foi ao início da noite que despoletou.
Persistente, com uma cadência cada vez mais intensa. Como que ansiosa depois de
uma longa espera. Ritmada como uma dança, sem abrandar um só instante. Os pingos
transformados num enorme véu cobrindo a imensidão. Os campos, sequiosos,
absorvendo cada gota. O estio fora longo e agreste, como há muito não se via.
Fora uma extensa e penosa espera. Por fim, ela chegara. Ávida do abraço por
demais ansiado.
Nem sempre razão e coração casam, mas fazem alianças. Nem sempre o amor cura, mas faz verdadeiros milagres. Nem sempre um abraço atenua a dor, mas imprime energia. Nem sempre falar resolve, mas alivia. Nem sempre são firmes os meus passos, mas regem-se pela verticalidade. Nem sempre são assertivas as minhas palavras, mas refletem a verdade de cada momento. Nem sempre sou o que esperam de mim, mas o que posso ser para os outros. Nem sempre dou tudo o que poderia, mas o que sou capaz de oferecer.

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