Esteve
sempre iminente, durante todo o dia, mas foi ao início da noite que despoletou.
Persistente, com uma cadência cada vez mais intensa. Como que ansiosa depois de
uma longa espera. Ritmada como uma dança, sem abrandar um só instante. Os pingos
transformados num enorme véu cobrindo a imensidão. Os campos, sequiosos,
absorvendo cada gota. O estio fora longo e agreste, como há muito não se via.
Fora uma extensa e penosa espera. Por fim, ela chegara. Ávida do abraço por
demais ansiado.
Há dias maus e há dias muito maus. E depois há os outros, os verdadeiramente muito maus, a que, caso tivéssemos escolha, nos furtaríamos. São um verdadeiro murro no estômago, que nos atiram “borda fora”, que nos roubam o chão. Que fazem doer. Porém, há os dias bons e os dias muito bons. E depois há os dias excecionalmente esplêndidos. Verdadeiramente felizes. Energia positiva que alimenta o corpo e a alma. Que aquece o coração. Ambos, os dias bons e os dias maus, deixam marca, acentuada ou mais ténue. São memórias que carregamos, e que, a espaços, regressam, ainda que não as convoquemos. São memorandos, páginas de um livro que se vai avolumando de uma história cujo desfecho desconhecemos.

Comentários
Enviar um comentário