Um vazio incomensurável tomou conta de si. Por
momentos, o chão pareceu fugir-lhe dos pés, uma tontura quase o derrubou. Um silêncio
gritante ecoava na sua mente, não lhe permitindo sequer pensar. Intentou uma
passada, mas as pernas não lhe obedeceram. Tentou falar, todavia não conseguiu
articular palavra. Viu-se refletido no espelho e não reconheceu esse outro que
o mirava atordoado. Preso, amordaçado, completamente dominado pelo choque. A morte
batia-lhe à porta.
Nem sempre razão e coração casam, mas fazem alianças. Nem sempre o amor cura, mas faz verdadeiros milagres. Nem sempre um abraço atenua a dor, mas imprime energia. Nem sempre falar resolve, mas alivia. Nem sempre são firmes os meus passos, mas regem-se pela verticalidade. Nem sempre são assertivas as minhas palavras, mas refletem a verdade de cada momento. Nem sempre sou o que esperam de mim, mas o que posso ser para os outros. Nem sempre dou tudo o que poderia, mas o que sou capaz de oferecer.

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