Um vazio incomensurável tomou conta de si. Por
momentos, o chão pareceu fugir-lhe dos pés, uma tontura quase o derrubou. Um silêncio
gritante ecoava na sua mente, não lhe permitindo sequer pensar. Intentou uma
passada, mas as pernas não lhe obedeceram. Tentou falar, todavia não conseguiu
articular palavra. Viu-se refletido no espelho e não reconheceu esse outro que
o mirava atordoado. Preso, amordaçado, completamente dominado pelo choque. A morte
batia-lhe à porta.
Há dias maus e há dias muito maus. E depois há os outros, os verdadeiramente muito maus, a que, caso tivéssemos escolha, nos furtaríamos. São um verdadeiro murro no estômago, que nos atiram “borda fora”, que nos roubam o chão. Que fazem doer. Porém, há os dias bons e os dias muito bons. E depois há os dias excecionalmente esplêndidos. Verdadeiramente felizes. Energia positiva que alimenta o corpo e a alma. Que aquece o coração. Ambos, os dias bons e os dias maus, deixam marca, acentuada ou mais ténue. São memórias que carregamos, e que, a espaços, regressam, ainda que não as convoquemos. São memorandos, páginas de um livro que se vai avolumando de uma história cujo desfecho desconhecemos.

Comentários
Enviar um comentário