Não me
roubem as memórias. Tirem-me tudo menos as memórias. Que seria de mim sem elas?
Uma vida sem passado, um livro com páginas em branco, um filme sem imagens. O
vazio. A ausência total e completa de um percurso feito de risos e lágrimas,
alegria e dor. Mais do que o registo das vivências, as memórias são a armadura
que me sustém. Não me roubem as memórias. Sem elas nada sou.
Há dias maus e há dias muito maus. E depois há os outros, os verdadeiramente muito maus, a que, caso tivéssemos escolha, nos furtaríamos. São um verdadeiro murro no estômago, que nos atiram “borda fora”, que nos roubam o chão. Que fazem doer. Porém, há os dias bons e os dias muito bons. E depois há os dias excecionalmente esplêndidos. Verdadeiramente felizes. Energia positiva que alimenta o corpo e a alma. Que aquece o coração. Ambos, os dias bons e os dias maus, deixam marca, acentuada ou mais ténue. São memórias que carregamos, e que, a espaços, regressam, ainda que não as convoquemos. São memorandos, páginas de um livro que se vai avolumando de uma história cujo desfecho desconhecemos.

Comentários
Enviar um comentário