Não me
roubem as memórias. Tirem-me tudo menos as memórias. Que seria de mim sem elas?
Uma vida sem passado, um livro com páginas em branco, um filme sem imagens. O
vazio. A ausência total e completa de um percurso feito de risos e lágrimas,
alegria e dor. Mais do que o registo das vivências, as memórias são a armadura
que me sustém. Não me roubem as memórias. Sem elas nada sou.
Nem sempre razão e coração casam, mas fazem alianças. Nem sempre o amor cura, mas faz verdadeiros milagres. Nem sempre um abraço atenua a dor, mas imprime energia. Nem sempre falar resolve, mas alivia. Nem sempre são firmes os meus passos, mas regem-se pela verticalidade. Nem sempre são assertivas as minhas palavras, mas refletem a verdade de cada momento. Nem sempre sou o que esperam de mim, mas o que posso ser para os outros. Nem sempre dou tudo o que poderia, mas o que sou capaz de oferecer.

Comentários
Enviar um comentário