Ouves o
mar? Está triste, não sentes? Parece que chora, soluçando a sua mágoa. Às vezes
está zangado, bate com violência nas rochas, como se descarregasse raiva
acumulada, castigando quem ousar fazer-lhe frente. Muitas vezes está feliz.
Sei-o quando o vejo sereno, sem ondas, rebolando com a areia em ternas
brincadeiras. É de humores o mar. Tem dias.
Nem sempre razão e coração casam, mas fazem alianças. Nem sempre o amor cura, mas faz verdadeiros milagres. Nem sempre um abraço atenua a dor, mas imprime energia. Nem sempre falar resolve, mas alivia. Nem sempre são firmes os meus passos, mas regem-se pela verticalidade. Nem sempre são assertivas as minhas palavras, mas refletem a verdade de cada momento. Nem sempre sou o que esperam de mim, mas o que posso ser para os outros. Nem sempre dou tudo o que poderia, mas o que sou capaz de oferecer.

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