Diz-me por
onde ir porque já não enxergo o caminho. Sê o meu farol, indica-me a direção. Orienta-me
por este tortuoso trajeto para que eu não tropece. Faltam-me as forças, mas,
sobretudo, falta-me o ânimo. Sinto que me abandonaste entregue à minha própria
sorte. Não tenho dado pela tua presença, preciso de um sinal. Mostra-me que
estás comigo, porque ao olhar para trás só vejo as minhas pegadas. Não te peço
que me carregues ao colo, mas que me ajudes a carregar a cruz, porque é
demasiado pesada para mim.
Há dias maus e há dias muito maus. E depois há os outros, os verdadeiramente muito maus, a que, caso tivéssemos escolha, nos furtaríamos. São um verdadeiro murro no estômago, que nos atiram “borda fora”, que nos roubam o chão. Que fazem doer. Porém, há os dias bons e os dias muito bons. E depois há os dias excecionalmente esplêndidos. Verdadeiramente felizes. Energia positiva que alimenta o corpo e a alma. Que aquece o coração. Ambos, os dias bons e os dias maus, deixam marca, acentuada ou mais ténue. São memórias que carregamos, e que, a espaços, regressam, ainda que não as convoquemos. São memorandos, páginas de um livro que se vai avolumando de uma história cujo desfecho desconhecemos.

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