Como se
cumprisse um guião o cinzento acompanha-a. Desde sempre. Umas vezes mais persistente,
outras quase ausente, mas permanentemente presente. Nunca quis que a sua vida
fosse um rascunho traçado a lápis de carvão, aspirou sempre a uma tela
colorida, com traços bem marcados e definidos. Mas a vida é dada a caprichos e
obriga a novos recomeços constantemente. Não permite que as cores brilhem por demasiado
tempo e o pardacento volta a instalar-se sem deixar perceber por quanto tempo.
Enquanto a resiliência durar está prometida uma guerra de cores.
Há dias maus e há dias muito maus. E depois há os outros, os verdadeiramente muito maus, a que, caso tivéssemos escolha, nos furtaríamos. São um verdadeiro murro no estômago, que nos atiram “borda fora”, que nos roubam o chão. Que fazem doer. Porém, há os dias bons e os dias muito bons. E depois há os dias excecionalmente esplêndidos. Verdadeiramente felizes. Energia positiva que alimenta o corpo e a alma. Que aquece o coração. Ambos, os dias bons e os dias maus, deixam marca, acentuada ou mais ténue. São memórias que carregamos, e que, a espaços, regressam, ainda que não as convoquemos. São memorandos, páginas de um livro que se vai avolumando de uma história cujo desfecho desconhecemos.

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