Como se
cumprisse um guião o cinzento acompanha-a. Desde sempre. Umas vezes mais persistente,
outras quase ausente, mas permanentemente presente. Nunca quis que a sua vida
fosse um rascunho traçado a lápis de carvão, aspirou sempre a uma tela
colorida, com traços bem marcados e definidos. Mas a vida é dada a caprichos e
obriga a novos recomeços constantemente. Não permite que as cores brilhem por demasiado
tempo e o pardacento volta a instalar-se sem deixar perceber por quanto tempo.
Enquanto a resiliência durar está prometida uma guerra de cores.
Nem sempre razão e coração casam, mas fazem alianças. Nem sempre o amor cura, mas faz verdadeiros milagres. Nem sempre um abraço atenua a dor, mas imprime energia. Nem sempre falar resolve, mas alivia. Nem sempre são firmes os meus passos, mas regem-se pela verticalidade. Nem sempre são assertivas as minhas palavras, mas refletem a verdade de cada momento. Nem sempre sou o que esperam de mim, mas o que posso ser para os outros. Nem sempre dou tudo o que poderia, mas o que sou capaz de oferecer.

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