Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

Só um abraço

Só preciso de um abraço, nada mais do que um abraço. Um abraço apertado, que me prenda para que eu não corra rua fora a gritar. De raiva, de revolta, de fúria, sentindo-me vítima de uma tremenda injustiça. Perguntando e voltando a perguntar “porquê?”. Não há uma resposta que conforte, que acalme esta dor. Sei-o bem. Tu também o sabes. Porque a viveste ou porque conviveste com ela. Só preciso de um abraço, um abraço bem apertado, para sentir que não estou só.

Recordações

Não se esfumam no tempo as recordações, muito menos deixam de estar presentes porque os dias avançam no calendário e as horas repetem ciclos no relógio. Não é o tempo que determina a intensidade ou a força dos sentimentos. Se assim fosse perder-se-iam na espuma dos dias momentos de imensa ternura, histórias de intensa paixão e de amores desmedidos. Fechar os olhos e deixar as memórias emergir pode ser a maior prova de amor.

Sem resposta

Não tenho resposta para todas as tuas perguntas. Não sei explicar porque temos dias em que tudo sobra e, em oposição, outros em que tudo falta. Porque é que o trajecto não se faz sempre por linha recta, sem desvios, percalços, quedas e até trambolhões. Porque se entranha o grão de areia na engrenagem obrigando-nos a aplicar um esforço maior para seguir em frente. Porque nos alegra um dia resplandecente e nos deprimem os dias de chuva. Porque somos capazes de resistir às maiores adversidades nuns dias e sucumbir ao primeiro revés noutros. Porque somos sensíveis em determinados momentos e extremamente indiferentes noutros. Porque nos custa tanto sorrir quando noutras ocasiões à mínima nos perdemos a rir. Sobram as questões, faltam as respostas.

Esperança

Sorriso largo, como portas escancaradas a desafiar quem passa a entrar. Olhar expressivo, registando cada movimento, qual câmara de vigilância captando imagens. Braço estendido, a mão aberta. De tão repetido, o gesto, por si só, já não prende a atenção de ninguém. Porém, o quadro, no seu todo, impressiona, confunde quem passa. Algo parece fora do lugar. Alguma coisa não combina. Talvez o sorriso. Ou o olhar. A mão estendida de quem pede não condiz com um rosto iluminado por um sorriso a transbordar esperança. 

No escuro

Procura sinais e não enxerga as evidências mesmo diante dos seus olhos. Não olha além da superfície, por isso não alcança as respostas. É como se uma espessa neblina formasse uma cortina que a impossibilita de ver. Vive como se o tempo lhe fugisse por entre os dedos, lamentando cada dia que passa sem encontrar o que anseia. Não lhe ocorre sequer que a felicidade pode estar à porta, à espera de ser convidada a fazer-lhe companhia.

Casa vazia

Caminha devagar, sem pressa de chegar ao destino. Não tem ninguém à sua espera, por isso tanto faz mais cedo como mais tarde. Aguarda-o uma casa vazia, onde outrora havia companhia. Hoje, resta apenas ele. As paredes agora despidas exibiam retratos de uma família que deixou de o ser. Uma história igual a tantas outras, que o destino se encarregou de escrever indiferente à vontade dos protagonistas. A agitação de uma cidade que se despede de mais um dia traz-lhe à memória os tempos em que ansiava pelo regresso a casa, para o aconchego do lar, em busca do merecido repouso, onde o aguardavam os mais doces sorrisos e os abraços mais reconfortantes. Caminha devagar, porque não há pressa agora. O destino pregou-lhe a mais injusta e traiçoeira de todas as rasteiras e, de uma só vez, levou-lhe todas as razões que o faziam sorrir.  

Palavras contidas

Mais tarde ou mais cedo há-de falar, desembrulhando as palavras que mantém cárceres da sua cobardia. Não alcançou ainda a patamar que lhe conferirá a segurança e a coragem para falar o que há muito traz abafado no peito. Às vezes é como se estivesse junto ao precipício, pronta a saltar, sem medos. Nessas alturas, chega até a achar ridículo tanto receio de se expor e acha-se capaz dos feitos mais audazes, ainda que em causa esteja só falar, dizer o que sente. São, porém, arrojos momentâneos, que se diluem tão rápido como o sol em dia de chuva. Ensaia incontáveis vezes formas e meios de o dizer, chega até a sentir a leveza espiritual que o desabafo, que não o foi, proporciona, mas é também efémera a sensação. Um dia, diz para si própria. Um dia não mais conseguirá calar as palavras que lhe queimam os lábios e travar o ímpeto de confessar o amor que despertou no seu coração.