Quinta-feira, 26 de Abril de 2012

Teus olhos


Vejo nos teus olhos um coração grande, um porto de abrigo em dia de tempestade, uma força e coragem ímpares.  Através dos teus olhos vejo todo um mundo à espera de ser conquistado. Pelos teus olhos vejo mais longe e mais claro, dissipando a névoa que trai os meus. São meus os teus olhos quando me fazes olhar para o que antes era invisível.
Vejo nos teus olhos os momentos felizes que viveste noutras vidas, antes de eu fazer parte da tua. Vejo a cor com que pintas os dias e dás brilho à vida dos que estão à tua volta. Vejo nos teus olhos um futuro de sonhos e de esperança. 

Segunda-feira, 16 de Abril de 2012

Pode a tua ausência doer tanto?

Pensar faz doer, reagir afigura-se como um esforço titânico, por isso deixo-me ficar, alheia ao mundo que me rodeia. Não tenho agora o discernimento de outrora, não alcanço já essa réstia de esperança que me mantinha à tona e deixo-me agora submergir por essa onda negativa, sem forças para resistir. Sei que lá fora há vida, mas os meus pés recusam-se a dar um só passo que seja. Sinto o meu corpo pesado, incapaz de erguer-se. Olho-me ao espelho e não reconheço a imagem que ele me devolve. O olhar sem brilho, as linhas do rosto sem qualquer expressão. O barulho da rua traz-me à realidade, arrancando-me do estado de letargia onde vegeto. Abre-se a porta e a luz do dia cega-me, impedindo-me de te ver. Dou conta que voltaste quando me sinto envolvida em teus braços. Pode a tua ausência doer tanto?

Quarta-feira, 8 de Fevereiro de 2012

Lugares...

Há lugares que parecem ser só nossos e de mais ninguém, onde tudo nos é tão familiar e tão próximo que parece até que estamos em nossa casa. Há sítios que nos fazem tão bem que queremos não só ir mas ficar, onde saboreamos cada uma das pequenas coisas como se isso fosse um privilégio só nosso. Sem darmos conta criamos com esses locais uma espécie de relação afectiva, enredando-nos em laços que gostamos de manter bem apertados.

Sexta-feira, 13 de Janeiro de 2012

Asa Livre





Para assinalar o 2.º aniversário deste blog, Asa Livre, de Miguel Gameiro (ex-Pólo Norte). Linda.

Como um pássaro que vai
Quando uma porta se abre
Não olhes para trás e vai depressa

Como a noite quando cai
Abraçando a cidade
Deixa simplesmente que aconteça

Abre as asas e vai
Das tuas asas as minhas também
Abre as asas, eu fico bem

Como um barco que se afasta
De uma das margens do rio
Não há um só lado na vida

Quando um beijo já basta
Corpo quente em corpo frio
Deixa que aconteça a despedida

Abre as asas e vai
Das tuas asas as minhas também
Abre as asas , eu fico bem

E que a despedida
Seja só o recomeço
Livre asa solta
Voa alto, eu não te esqueço

Abre as asas e vai
Das tuas asas as minhas também
Abre as asas , eu fico bem

Quarta-feira, 21 de Dezembro de 2011

lugares


não sei dizer porquê. o que me leva a vir aqui. tantas vezes que já lhes perdi a conta. parece até que o meu corpo tem vontade própria. quando dou por mim já cá estou. no estio, a sentir o sol quente na pele, o vento nos cabelos e o murmúrio do mar a embalar-me. na invernia, o corpo a resistir às agruras do tempo, ao vento forte, à chuva, por vezes impiedosa, como que a querer afugentar-me. mas fico. fico até me sentir em paz. chego até a exprimir em voz alta o que me vai no íntimo, como se a natureza fosse gente e pudesse ouvir-me ou até aconselhar-me, ainda que seja somente um monólogo. no fundo, sinto que sou ouvida e até compreendida. por isso regresso. regresso sempre.

Segunda-feira, 7 de Novembro de 2011

Alma

Ela chegou de mansinho como tantas outras vezes
Contudo, desta vez veio envolvida de sedução e encanto
Senti-o quando despertou em mim uma deliciosa sensação
Envolveu-me e por ali ficamos, muito quietos, com receio de estragar a magia do momento
Terão passado minutos ou horas, não sei
Regressei à realidade quando me fez estremecer soprando-me ao ouvido que lhe pertencia
Foi então que percebi que a noite tem alma


Fotografia: João Octávio Meira
Texto: Alda Viana

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Quinta-feira, 20 de Outubro de 2011

De ontem e de hoje...


Dançam as sombras das árvores no chão
Ecoam os risos das crianças no pátio da escola
Latem os cães ao som do assobio do homem dos guarda-chuvas
Ouve-se ao longe o pregão da peixeira
Corre apressada a Maria nas lides diárias

Os sinos da Igreja a marcarem o passo da aldeia
Os foguetes a anunciarem a festa
O cheiro do pão quente
O mar imenso que enche o olhar
O rio e os seus recantos cheios de encanto

Quarta-feira, 19 de Outubro de 2011

A beleza das coisas simples

A simplicidade das coisas belas
Uma noite quente, Outono dentro
As águas do rio num suave ondular
As embarcações solitárias a partilharem cumplicidades
Além as luzes a alumiarem outras vidas
A brisa que sopra levemente
O silêncio que se ouve
A paz que se respira
A beleza das coisas simples

Fotografia: João Octávio Meira
Texto: Alda Viana

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Quinta-feira, 15 de Setembro de 2011

Mar...


Não saberia viver sem o mar. É para junto dele que vou quando preciso de me encontrar, de assentar os pés no chão e tomar decisões. É com ele que tenho vivido angústias e medos. É com ele que tenho celebrado vitórias e alegrias. Perto do mar renovo energias, regenero-me. Perto do mar sou mais eu.

Fotografia: João Octávio Meira
Texto: Alda Viana

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Terça-feira, 6 de Setembro de 2011

Desejo


Estás entranhado em mim
Sinto-te em cada poro da minha pele
Desejo-te a cada instante
O meu corpo arde em chamas
Quero-te em mim para saciar este desejo que me consome