quarta-feira, 24 de maio de 2017

Ao encontro do mar

Vou ao encontro do mar. Em dias assim e nos outros também.
Vou em busca da sua força para me trazer energia, para me obrigar a parar, a respirar. A pensar em mim e nos outros também. Nos que estão e nos que foram. Porque os que partiram continuam cá, no coração e na memória. Mas também é preciso agarrar os que cá estão. Trazê-los sempre junto ao peito, abraçá-los com o olhar e com os braços também. Amá-los com palavras e com gestos. E não permitir nunca que as ondas os arrastem para longe de nós.
Vou ao encontro do mar. Em dias assim e nos outros também.


domingo, 8 de janeiro de 2017

Confia

Confia
Por mais tortuosas que sejam as veredas
Por mais pesados que sejam os teus passos
Ainda que as forças te faltem
Ainda que a dor te aperte o coração
Quando a tristeza te invadir
Quando a solidão te envolver
Confia
Confiar é Acreditar. Confiar é ter Fé.

Confia

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Aroma

O aroma perpassou-lhe as narinas e despertou-lhe os sentidos. Como que sacudida de um sono tranquilo mergulhou numa espiral de recordações. As memórias, sempre elas, a arrastarem-na para um passado que ainda não conseguira deixar para trás. O olfacto convocou os demais sentidos e ela deixou-se levar. Esqueceu-se de onde estava e de tudo quanto a rodeava. Estava de novo no tempo e na história que quisera para sempre, pudesse ter mão no destino. Não foi a brisa que lhe arrepiou a pele. Foi a intensidade das recordações. Porque o Amor tem muitos aromas.

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Raiva em estado puro

Que raiva é esta que me consome as entranhas, me tolda o discernimento e anula a razão? De que raio de amálgama é feita esta coisa que passou a viver em mim, que pensa por mim, fala por mim, age por mim? Como travar uma batalha se não sei quem é o inimigo, se não tenho armas, munições, nem tão pouco estratégia? São mudos os gritos que berro, de outro modo como poderias não me ouvir?


terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Resiliência

Como se cumprisse um guião o cinzento acompanha-a. Desde sempre. Umas vezes mais persistente, outras quase ausente, mas permanentemente presente. Nunca quis que a sua vida fosse um rascunho traçado a lápis de carvão, aspirou sempre a uma tela colorida, com traços bem marcados e definidos. Mas a vida é dada a caprichos e obriga a novos recomeços constantemente. Não permite que as cores brilhem por demasiado tempo e o pardacento volta a instalar-se sem deixar perceber por quanto tempo. Enquanto a resiliência durar está prometida uma guerra de cores.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Faltam-me pedaços

Faltam-me pedaços, não sou inteira. Qual crivo cravado de buracos, assim sou eu. A cada perda há um vazio que se abre, que não mais fecha, passe o tempo que passar. A cada desilusão fica exposta a ferida da dor, que não chega nunca a sarar. A cada fracasso agiganta-se esse fantasma da derrota ficando sempre à espreita.
Faltam-me pedaços, a vida anda a roubar-me, continua a roubar-me. Tira-me pessoas, tira-me momentos, tira-me sorrisos, tira-me alegria, tira-me alento…
Só é inteiro quem não se dá, quem não arrisca, quem não se atreve. Só é inteiro quem nunca amou.


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Prece

Diz-me por onde ir porque já não enxergo o caminho. Sê o meu farol, indica-me a direção. Orienta-me por este tortuoso trajeto para que eu não tropece. Faltam-me as forças, mas, sobretudo, falta-me o ânimo. Sinto que me abandonaste entregue à minha própria sorte. Não tenho dado pela tua presença, preciso de um sinal. Mostra-me que estás comigo, porque ao olhar para trás só vejo as minhas pegadas. Não te peço que me carregues ao colo, mas que me ajudes a carregar a cruz, porque é demasiado pesada para mim.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Não me roubem as memórias


Não me roubem as memórias. Tirem-me tudo menos as memórias. Que seria de mim sem elas? Uma vida sem passado, um livro com páginas em branco, um filme sem imagens. O vazio. A ausência total e completa de um percurso feito de risos e lágrimas, alegria e dor. Mais do que o registo das vivências, as memórias são a armadura que me sustém. Não me roubem as memórias. Sem elas nada sou.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

O mar


Ouves o mar? Está triste, não sentes? Parece que chora, soluçando a sua mágoa. Às vezes está zangado, bate com violência nas rochas, como se descarregasse raiva acumulada, castigando quem ousar fazer-lhe frente. Muitas vezes está feliz. Sei-o quando o vejo sereno, sem ondas, rebolando com a areia em ternas brincadeiras. É de humores o mar. Tem dias.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Presa no passado

Não julgues que estou diferente. Não te deixes enganar pelas aparências. Só o tempo seguiu em frente. Arrastou-me com ele, é certo, como o espelho me lembra de cada vez que nos cruzamos, porém eu continuo lá. Nesse tempo que eu pensava ser nosso, mas que era, que é, afinal, só meu, porque é só que me encontro.