terça-feira, 14 de novembro de 2017

Puzzle da vida

Seguir a mesma direção, trilhar o mesmo caminho, não nos torna iguais. Não são tuas as minhas dores, não te consomem as minhas preocupações, tão pouco te derrubam os meus fracassos. Não sentes as minhas perdas, não choras as minhas lágrimas, nem vives as minhas angústias. Não vibras com as minhas alegrias, não festejas as minhas conquistas, não te arrebata o meu sucesso.

Seremos iguais quando as tuas peças encaixarem no mesmo puzzle da vida. 

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Ao encontro do mar

Vou ao encontro do mar. Em dias assim e nos outros também.
Vou em busca da sua força para me trazer energia, para me obrigar a parar, a respirar. A pensar em mim e nos outros também. Nos que estão e nos que foram. Porque os que partiram continuam cá, no coração e na memória. Mas também é preciso agarrar os que cá estão. Trazê-los sempre junto ao peito, abraçá-los com o olhar e com os braços também. Amá-los com palavras e com gestos. E não permitir nunca que as ondas os arrastem para longe de nós.
Vou ao encontro do mar. Em dias assim e nos outros também.


domingo, 8 de janeiro de 2017

Confia

Confia
Por mais tortuosas que sejam as veredas
Por mais pesados que sejam os teus passos
Ainda que as forças te faltem
Ainda que a dor te aperte o coração
Quando a tristeza te invadir
Quando a solidão te envolver
Confia
Confiar é Acreditar. Confiar é ter Fé.

Confia

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Aroma

O aroma perpassou-lhe as narinas e despertou-lhe os sentidos. Como que sacudida de um sono tranquilo mergulhou numa espiral de recordações. As memórias, sempre elas, a arrastarem-na para um passado que ainda não conseguira deixar para trás. O olfacto convocou os demais sentidos e ela deixou-se levar. Esqueceu-se de onde estava e de tudo quanto a rodeava. Estava de novo no tempo e na história que quisera para sempre, pudesse ter mão no destino. Não foi a brisa que lhe arrepiou a pele. Foi a intensidade das recordações. Porque o Amor tem muitos aromas.

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Raiva em estado puro

Que raiva é esta que me consome as entranhas, me tolda o discernimento e anula a razão? De que raio de amálgama é feita esta coisa que passou a viver em mim, que pensa por mim, fala por mim, age por mim? Como travar uma batalha se não sei quem é o inimigo, se não tenho armas, munições, nem tão pouco estratégia? São mudos os gritos que berro, de outro modo como poderias não me ouvir?


terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Resiliência

Como se cumprisse um guião o cinzento acompanha-a. Desde sempre. Umas vezes mais persistente, outras quase ausente, mas permanentemente presente. Nunca quis que a sua vida fosse um rascunho traçado a lápis de carvão, aspirou sempre a uma tela colorida, com traços bem marcados e definidos. Mas a vida é dada a caprichos e obriga a novos recomeços constantemente. Não permite que as cores brilhem por demasiado tempo e o pardacento volta a instalar-se sem deixar perceber por quanto tempo. Enquanto a resiliência durar está prometida uma guerra de cores.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Faltam-me pedaços

Faltam-me pedaços, não sou inteira. Qual crivo cravado de buracos, assim sou eu. A cada perda há um vazio que se abre, que não mais fecha, passe o tempo que passar. A cada desilusão fica exposta a ferida da dor, que não chega nunca a sarar. A cada fracasso agiganta-se esse fantasma da derrota ficando sempre à espreita.
Faltam-me pedaços, a vida anda a roubar-me, continua a roubar-me. Tira-me pessoas, tira-me momentos, tira-me sorrisos, tira-me alegria, tira-me alento…
Só é inteiro quem não se dá, quem não arrisca, quem não se atreve. Só é inteiro quem nunca amou.


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Prece

Diz-me por onde ir porque já não enxergo o caminho. Sê o meu farol, indica-me a direção. Orienta-me por este tortuoso trajeto para que eu não tropece. Faltam-me as forças, mas, sobretudo, falta-me o ânimo. Sinto que me abandonaste entregue à minha própria sorte. Não tenho dado pela tua presença, preciso de um sinal. Mostra-me que estás comigo, porque ao olhar para trás só vejo as minhas pegadas. Não te peço que me carregues ao colo, mas que me ajudes a carregar a cruz, porque é demasiado pesada para mim.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Não me roubem as memórias


Não me roubem as memórias. Tirem-me tudo menos as memórias. Que seria de mim sem elas? Uma vida sem passado, um livro com páginas em branco, um filme sem imagens. O vazio. A ausência total e completa de um percurso feito de risos e lágrimas, alegria e dor. Mais do que o registo das vivências, as memórias são a armadura que me sustém. Não me roubem as memórias. Sem elas nada sou.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

O mar


Ouves o mar? Está triste, não sentes? Parece que chora, soluçando a sua mágoa. Às vezes está zangado, bate com violência nas rochas, como se descarregasse raiva acumulada, castigando quem ousar fazer-lhe frente. Muitas vezes está feliz. Sei-o quando o vejo sereno, sem ondas, rebolando com a areia em ternas brincadeiras. É de humores o mar. Tem dias.