Sorriso largo, como portas escancaradas a
desafiar quem passa a entrar. Olhar expressivo, registando cada movimento, qual
câmara de vigilância captando imagens. Braço estendido, a mão aberta. De tão
repetido, o gesto, por si só, já não prende a atenção de ninguém. Porém, o quadro, no seu todo, impressiona, confunde quem passa. Algo parece fora do lugar. Alguma
coisa não combina. Talvez o sorriso. Ou o olhar. A mão estendida de quem pede não
condiz com um rosto iluminado por um sorriso a transbordar esperança.
Quando o silêncio é tão estrondosamente ruidoso retumba no peito e agita a mente. Não se ouve, contudo, grita. É avassalador. Assume o poder das mais duras palavras, é eco de uma multidão. É poderoso, porque domina, torna refém. Não permite refúgios nem evasões. É inteiro, porquanto preenche, toma todas as dimensões. Mil vezes os gritos. Tal silêncio não traz serenidade nem acalma. Mata.
Comentários
Enviar um comentário