Não tenho
resposta para todas as tuas perguntas. Não sei explicar porque temos dias em
que tudo sobra e, em oposição, outros em que tudo falta. Porque é que o
trajecto não se faz sempre por linha recta, sem desvios, percalços, quedas e até
trambolhões. Porque se entranha o grão de areia na engrenagem obrigando-nos a aplicar
um esforço maior para seguir em frente. Porque nos alegra um dia resplandecente
e nos deprimem os dias de chuva. Porque somos capazes de resistir às maiores
adversidades nuns dias e sucumbir ao primeiro revés noutros. Porque somos
sensíveis em determinados momentos e extremamente indiferentes noutros. Porque
nos custa tanto sorrir quando noutras ocasiões à mínima nos perdemos a rir. Sobram as
questões, faltam as respostas.
Quando o silêncio é tão estrondosamente ruidoso retumba no peito e agita a mente. Não se ouve, contudo, grita. É avassalador. Assume o poder das mais duras palavras, é eco de uma multidão. É poderoso, porque domina, torna refém. Não permite refúgios nem evasões. É inteiro, porquanto preenche, toma todas as dimensões. Mil vezes os gritos. Tal silêncio não traz serenidade nem acalma. Mata.
Comentários
Enviar um comentário