A gargalhada,
espontânea e escandalosamente sonora, ecoou na noite, quebrando o silêncio da
rua. Obrigaram-se a engolir o riso, em respeito para com os que, nos seus
aconchegos, retemperavam energias de mais um dia de trabalho. Caminhavam
abraçados, muito juntos, tremendamente cúmplices. Sempre fora assim, desde o
momento em que os seus caminhos se cruzaram. Como se estivessem destinados um ao
outro, almas gémeas que, por fim, se encontram. O destino unira-os e não os iria separar. Selou um beijo no seu rosto e chamou-lhe princesa.
Quando o silêncio é tão estrondosamente ruidoso retumba no peito e agita a mente. Não se ouve, contudo, grita. É avassalador. Assume o poder das mais duras palavras, é eco de uma multidão. É poderoso, porque domina, torna refém. Não permite refúgios nem evasões. É inteiro, porquanto preenche, toma todas as dimensões. Mil vezes os gritos. Tal silêncio não traz serenidade nem acalma. Mata.
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