Podia
ter-te pedido para ficares, mas não o fiz. Deixei que partisses e fiquei, presa
ao chão, a ver-te ir embora. Ainda olhaste para trás, mas não deixei que visses
a dor que me consumia. Fingi uma determinação que não sentia e aguentei firme e
estoicamente até te perder de vista. Não me lembro quanto tempo ali fiquei nem
o que fiz a seguir. Tenho, porém, a certeza de que foi o recomeço mais difícil
que alguma vez tive que experimentar. Sei que fui eu que te empurrei para fora
da minha vida. Sei que foi das decisões mais árduas e sofridas que alguma vez
tive que tomar. Sei porque o fiz. Fá-lo-ia de novo, ainda que tivesse que
passar pelo mesmo tormento. Porque ser feliz não é parecer feliz.
Quando o silêncio é tão estrondosamente ruidoso retumba no peito e agita a mente. Não se ouve, contudo, grita. É avassalador. Assume o poder das mais duras palavras, é eco de uma multidão. É poderoso, porque domina, torna refém. Não permite refúgios nem evasões. É inteiro, porquanto preenche, toma todas as dimensões. Mil vezes os gritos. Tal silêncio não traz serenidade nem acalma. Mata.
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