Fomos o
tanto que por ser demasiado não soubemos manter. Fomos o tudo que quisemos para
sempre esquecendo que o eterno só o é enquanto dura. Fomos o real quando as
nuvens eram o nosso chão. Fomos verdade na mentira de uma história por contar.
Fomos estrela sem firmamento porque não cabíamos no infinito. Fomos certeza na
dúvida do futuro. Fomos luz nas trevas. Fomos paz na guerra. Fomos silêncio no tumulto.
Fomos água na terra árida. Fomos brasa no frio do Inverno. Fomos.
Quando o silêncio é tão estrondosamente ruidoso retumba no peito e agita a mente. Não se ouve, contudo, grita. É avassalador. Assume o poder das mais duras palavras, é eco de uma multidão. É poderoso, porque domina, torna refém. Não permite refúgios nem evasões. É inteiro, porquanto preenche, toma todas as dimensões. Mil vezes os gritos. Tal silêncio não traz serenidade nem acalma. Mata.
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