Que raiva é esta que me consome as entranhas, me tolda o discernimento e
anula a razão? De que raio de amálgama é feita esta coisa que passou a viver em
mim, que pensa por mim, fala por mim, age por mim? Como travar uma batalha se
não sei quem é o inimigo, se não tenho armas, munições, nem tão pouco estratégia?
São mudos os gritos que berro, de outro modo como poderias não me ouvir?
Quando o silêncio é tão estrondosamente ruidoso retumba no peito e agita a mente. Não se ouve, contudo, grita. É avassalador. Assume o poder das mais duras palavras, é eco de uma multidão. É poderoso, porque domina, torna refém. Não permite refúgios nem evasões. É inteiro, porquanto preenche, toma todas as dimensões. Mil vezes os gritos. Tal silêncio não traz serenidade nem acalma. Mata.
Comentários
Enviar um comentário