Sentiu-o
chamar por si. Esquecida do tempo e do lugar foi ao seu encontro. Encontrou-o sereno,
pronto para a envolver e ouvir as suas confidências. Rendida, entregou-se sem
resistência e quaisquer reservas. Sempre assim fora. Uma relação que perdura no
tempo e que, ao invés de esmorecer, se torna cada vez mais forte. Ninguém mais lhe
proporciona o mesmo bem-estar nem a mesma alegria. A ele vai buscar energia
para combater as agruras da vida. Por vezes acha-se egoísta. Nem sempre dá na medida
em que recebe, mas não sabe ser de outra forma. Ele está lá sempre para ela,
seja para receber o seu sorriso ou beber as suas lágrimas. Ela chama-o de seu.
Ele, o Mar, não é de ninguém.
Quando o silêncio é tão estrondosamente ruidoso retumba no peito e agita a mente. Não se ouve, contudo, grita. É avassalador. Assume o poder das mais duras palavras, é eco de uma multidão. É poderoso, porque domina, torna refém. Não permite refúgios nem evasões. É inteiro, porquanto preenche, toma todas as dimensões. Mil vezes os gritos. Tal silêncio não traz serenidade nem acalma. Mata.
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