Esteve
sempre iminente, durante todo o dia, mas foi ao início da noite que despoletou.
Persistente, com uma cadência cada vez mais intensa. Como que ansiosa depois de
uma longa espera. Ritmada como uma dança, sem abrandar um só instante. Os pingos
transformados num enorme véu cobrindo a imensidão. Os campos, sequiosos,
absorvendo cada gota. O estio fora longo e agreste, como há muito não se via.
Fora uma extensa e penosa espera. Por fim, ela chegara. Ávida do abraço por
demais ansiado.
Quando o silêncio é tão estrondosamente ruidoso retumba no peito e agita a mente. Não se ouve, contudo, grita. É avassalador. Assume o poder das mais duras palavras, é eco de uma multidão. É poderoso, porque domina, torna refém. Não permite refúgios nem evasões. É inteiro, porquanto preenche, toma todas as dimensões. Mil vezes os gritos. Tal silêncio não traz serenidade nem acalma. Mata.
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