Um vazio incomensurável tomou conta de si. Por
momentos, o chão pareceu fugir-lhe dos pés, uma tontura quase o derrubou. Um silêncio
gritante ecoava na sua mente, não lhe permitindo sequer pensar. Intentou uma
passada, mas as pernas não lhe obedeceram. Tentou falar, todavia não conseguiu
articular palavra. Viu-se refletido no espelho e não reconheceu esse outro que
o mirava atordoado. Preso, amordaçado, completamente dominado pelo choque. A morte
batia-lhe à porta.
Quando o silêncio é tão estrondosamente ruidoso retumba no peito e agita a mente. Não se ouve, contudo, grita. É avassalador. Assume o poder das mais duras palavras, é eco de uma multidão. É poderoso, porque domina, torna refém. Não permite refúgios nem evasões. É inteiro, porquanto preenche, toma todas as dimensões. Mil vezes os gritos. Tal silêncio não traz serenidade nem acalma. Mata.
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