Chego com um nó na garganta e não consigo articular palavra. Atiro-me para o teu colo em busca de aconchego e encontro o calor do teu conforto. Não questionas o porquê do meu olhar perdido, que sustém a custo as lágrimas que hás-de ver rolar mal me tomas nos teus braços. Assaltam-te inúmeras perguntas, mas remetes-te ao silêncio até que o meu choro, até então contido, irrompe e quebra esse mudo momento. Apertas-me como se me resgatasses de um naufrágio e sinto-me emergir das profundezas que me sugam. Como que por magia sinto a dor desvanecer-se, aliviando o peso que carregava sobre os ombros. Há-de chegar a altura de falar, mas, por ora, preciso somente o teu abraço.
Quando o silêncio é tão estrondosamente ruidoso retumba no peito e agita a mente. Não se ouve, contudo, grita. É avassalador. Assume o poder das mais duras palavras, é eco de uma multidão. É poderoso, porque domina, torna refém. Não permite refúgios nem evasões. É inteiro, porquanto preenche, toma todas as dimensões. Mil vezes os gritos. Tal silêncio não traz serenidade nem acalma. Mata.
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