Ouço vozes ao longe. Vêm em ondas, tornando-se cada vez mais claras ao ritmo do meu lento acordar. Dás-me a tua mão e eu agarro-a qual bóia de salvação, como se dela dependesse a minha sobrevivência. Dizes o meu nome baixinho, num sussurro soprado ao meu ouvido. Respondo com um sorriso. Desafias-me a ir ver o mar e arrastas-me até à varanda. Sumiram-se as vozes e nada mais se ouve que o barulho das ondas, num suave ondular, qual música que nos embala. Ignoramos deliberadamente o relógio, obrigando-o a dar-nos o tempo que nos tem faltado.
Quando o silêncio é tão estrondosamente ruidoso retumba no peito e agita a mente. Não se ouve, contudo, grita. É avassalador. Assume o poder das mais duras palavras, é eco de uma multidão. É poderoso, porque domina, torna refém. Não permite refúgios nem evasões. É inteiro, porquanto preenche, toma todas as dimensões. Mil vezes os gritos. Tal silêncio não traz serenidade nem acalma. Mata.
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