segunda-feira, 14 de março de 2011

SobreViver


A data no calendário reaviva a lembrança do vendaval que devastou a sua vida e a reduziu a quase nada. Não foi totalmente inesperado, foi uma espera lenta que, ao invés de a preparar para o que haveria de vir, a tornou ainda mais frágil e fraca. As memórias desse período surgem envoltas numa espécie de névoa, tornando difusas as imagens desses dias em que viveu como se não fosse personagem da sua própria história, de tal modo estava entorpecida pela dor.
Os dias que haveriam de seguir-se foram o acordar do pesadelo, tendo de enfrentar a dura realidade. A casa vazia, as recordações em todo o lado, só serviam para tornar ainda mais dolorosos os dias que começavam e terminavam sempre da mesma forma: tristes, longos e frios. Pensou que não sobreviveria ao longo e doloroso calvário. Egoisticamente, chegou a desejar partir também. Foi duro e penoso o caminho. Porém, resistiu, sobreviveu e reaprendeu a viver. Não estava, como nunca esteve, sozinha.

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